terça-feira, 28 de setembro de 2010

Fez-se luz...

 Já sei por que razão é tão difícil ter (boas) ideias:

"Aos 10 anos todos nos dizem que somos espertos, mas que nos faltam ideias próprias. Aos 20 anos dizem que somos muito espertos, mas que não venhamos com ideias. Aos 30 anos pensamos que ninguém mais tem ideias. Aos 40 anos achamos que as ideias dos outros são todas nossas. Aos 50 anos pensamos com suficiente sabedoria para já não ter ideias. Aos 60 anos ainda temos ideias mas esquecemos do que estávamos a pensar. Aos 70 anos só pensar já nos faz dormir. Aos 80 anos só pensamos quando dormimos." 
Mia Couto, Venenos de Deus, Remédios do Diabo, p. 65 

Para reflectir...

   
      Para comemorar a conclusão da leitura de mais um livro, destaco a seguinte passagem:
  
     "A ausência dupla de felicidade e infelicidade é ainda mais penosa que o sofrimento. O verdadeiro castigo não é o inferno com as suas chamas devoradoras. A punição maior é o purgatório eterno."

Mia Couto, Venenos de Deus, Remédios do Diabo, p. 35

      Em português mais popular, é o que se chama levar a vida em lume brando!

Confissões de uma jovem trabalhadora, mas ultimamente dada à preguiça...

      Ai, o trabalho continua a avolumar-se; a (pre)disposição para o enfrentar continua a decair. O que fazer? Se ao menos pudesse andar neste barquinho para cima e para baixo no Rio Mandovi, podia ser que a inspiração chegasse... Ou então desaparecia de vez, não sei.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

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      Para a amiga que ainda há pouco comentava que este blogue andava muito a preto e branco, aqui fica este registo. O estado de espírito é que se mantém o mesmo: em suspenso sobre as coisas...

sábado, 25 de setembro de 2010

Para reflectir...


Uma das coisas que mais estranho nas pessoas é a sua inconstância de sentimentos e acções.
O mais provável é ser um problema meu: erigir palácios de certezas à minha volta...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O Outono já chegou, já só falta Outubro...


Esta noite conjuga-se tudo: a mudança da estação, a lua cheia, a desistência...

O Sol nas noites e o luar nos dias

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.
E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.
Nâo me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.
Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.
Natália Correia

Já vi alguns cisnes, mas como este...

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terça-feira, 21 de setembro de 2010

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     Em tom de mea culpa, assumo aqui publicamente que, em vez de estar a corrigir os testes de diagnóstico de duas turmas, estou quase, quase a terminar a leitura de Os Flamingos Perdidos de Bombaim (de que vos falei há uns posts atrás).
     De repente, esta passagem assumiu-se como fundamental...

"Karan descobriu que, com o passar do tempo, não chegara a esquecer Zaira, tal como a sabedoria convencional o fizera crer; em vez disso, começara a recordá-la melhor. As suas especificidades eram agora cortantes e resplandecentes, como a ponta de uma lança. Pormenores incontáveis agitavam-se no ar como traças perturbadas antes de gelarem lentamente para formar algo de composto e sólido, uma coisa que se encontrava numa oposição directa e indiferente à neblina da memória.
     Relutante, tristemente, começara a aceitar que um ser humano não era apenas constituído por tudo aquilo que possuía, era também constituído por tudo aquilo que perdera." (p. 346)

(Baía de Mumbai, 28 de Agosto de 2010)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

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(Mumbai, 28 de Agosto)
Hoje sinto-me assim:
À espreita
Num terraço a preto a branco
Depois da festa
Depois das pessoas
Para quando a partida?
Pudesse eu chegar.

Pormenores de azul em Jaipur, a cidade cor-de-rosa...


P.S. Não foi ainda desta vez que mudei de assunto. Já não deve faltar muito.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

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      Antes que o trabalho aperte em várias frentes de combate, tenho-me entrincheirado a pôr em dia alguma leitura mais recreativa. Depois de Os Filhos da Meia-Noite, Siddhartha e Uma Ideia da Índia (Alberto Moravia), oferecido por uma companheira de viagem no aeroporto de Mumbai, há pouco acabei O Tigre Branco de Aravind Adiga. Foi um agradável regresso à Índia que deixei há onze dias;  à sua comida,  às gulab jamuns, ao paan espalhado pelas ruas, aos brancos Ambassadors, aos esgotos,  a Bodh Gaya, a Varanasi...
      Enfim, é um retrato cru, irónico de alguém que, para fugir à miséria da sua casta, segue um percurso em vários aspectos reprovável. Não é a Índia de Bollywood, dos marajás e da elevação espiritual; a Índia do mundo cor-de-rosa de Jaipur. É uma Índia verosímil, sem esquecer que se trata de uma obra de ficção... Foi esta também a que encontrei por lá, apesar da breve passagem. Não garanto é não ter guardado também uma versão mais cor-de-rosa só para mim...
      Próxima leitura: Os Flamingos Perdidos de Bombaim de Siddharth Dhanvant Shanghvi...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

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Desde o dia 29 é assim que me sinto: a planar sobre as coisas... Não é fácil voltar à realidade.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Faces of India (2)...

(Calcutá, 24 de Agosto de 2010)

A lição de Buda...


"Mais tarde, quando o calor diminuiu e tudo no acampamento ganhou vida e se reuniu, ouviram o Buda a ensinar. Escutaram a sua voz e também ela era perfeita, tinha uma perfeita serenidade, estava cheia de paz. Gotama ensinava a doutrina do sofrimento, da origem do sofrimento, do caminho para a anulação do sofrimento. O seu discurso calmo fluía, sereno e claro. A vida era sofrimento, o mundo estava cheio de dor, mas a libertação da dor já fora encontrada: quem seguia o caminho do Buda encontrava a libertação."

Siddhartha, Hermann Hesse

(Estátua de Buda, com 25 metros de altura, erigida pelos Japoneses: Bodh Gaya, 23 de Agosto)


(Imagem de Buda, de finais do século X, no Templo de Mahabodhi: Bodh Gaya, 23 de Agosto)

Não se preocupem. Não mudei de religião. Apenas acho que se a religião pode ser uma combinação de espiritualidade e acção, posso bem encontrar noutras religiões diferentes caminhos, "espiritualidades" que me levem para mais perto de um Deus, que será certamente único. A serenidade do rosto de Buda tem algo a ver com isso...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010