Depois de várias fases opinativas (sempre foi não até hoje) quanto ao conceito de blogue e quanto à vertiginosa disseminação actual destes pequenos lugares de encontro, resolvi criar o meu... em jeito de diário de bordo de uma viagem que todos os dias tem encontro marcado com o Tempo, por isso estará repleto de generalidades, banalidades, comentários, reflexões, imagens, sons... Será bem-vindo a comentar quem vier por bem, mesmo que seja para discordar...
sexta-feira, 19 de março de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
De árvores e de livros...
(Estas árvores fabulosas são seguramente uns livros a menos na minha estante, mas não faz mal; estão muito bem onde estão...)
"Um livro é feito de uma árvore. É um conjunto de partes lisas e flexíveis (que ainda se chamam folhas) impressas em caracteres de pigmentação escura. Dá-se uma vista de olhos e ouve-se a voz de outra pessoa - talvez alguém que já tenha morrido há milhares de anos. Através dos milénios o autor está a falar com clareza e em silêncio dentro da nossa cabeça, directamente para nós. A escrita foi talvez a maior das invenções humanas, ligando as pessoas, cidadãos de épocas distantes que nunca se chegaram a conhecer. Os livros quebram as cadeias do tempo, provam que os seres humanos são capazes de exercer a magia."
Carl Sagan, Cosmos
Ainda da Tertúlia de Mentirosos...
Para explicar a existência de Deus, nem sempre são precisos 73 livros...
Um grande mestre da tradição hassídica, Ytzhak Meir, era ainda criança quando alguém lhe disse, para se divertir:
- Dou-te um florim se me disseres onde mora Deus.
- E eu - respondeu a criança - dou-te dois florins se me disseres onde não mora.
Onde mora Deus?
Um grande mestre da tradição hassídica, Ytzhak Meir, era ainda criança quando alguém lhe disse, para se divertir:
- Dou-te um florim se me disseres onde mora Deus.
- E eu - respondeu a criança - dou-te dois florins se me disseres onde não mora.
Jean-Claude Carrière, Tertúlia de Mentirosos, p. 26
quarta-feira, 17 de março de 2010
A verdade às vezes é desconcertante, engraçada e ambígua...
A obra Tertúlia de Mentirosos: contos filosóficos do mundo inteiro, de Jean-Claude Carrière, reúne pequenos contos que tratam de todas as questões que, ao longo da História da Humanidade, sempre inquietaram o Homem. Como se diz numa das badanas do livro, estes contos "dizem verdades que só os mentirosos conhecem", sabendo que os "mentirosos" em questão são os contadores de histórias, que, ora as inventaram algures no tempo, ora as perpetuam continuamente de cada vez que as enunciam.
E assim se citam dois exemplos, com "verdades" a descobrir...
O destino do cabrito
Rabindranath Tagore contou esta curta história, vinda provavelmente da tradição popular indiana:
O cabrito foi um dia ter com Brama, o criador, e queixou-se amargamente da sua condição.
- Todas as criaturas - diz ele - querem fazer de mim seu alimento. Como pode isto ser, ó poderoso Brama, servir-lhes eu assim de alimento? Achas justo?
Brama escutou-o e respondeu:
- Que queres que te diga, meu filho? Eu próprio, quando te vejo, sinto água na boca.
Para recordar
Atribui-se a Rumi a seguinte observação:
- Quando o tempo se tiver escoado, quando já não estivermos cá, ver-se-á então se ainda se lembram de nós. As leis antigas são sempre as mais fortes. Tende confiança. Ouvistes muitas histórias que começam por "era uma vez um leão". Tereis ouvido muitas histórias que comecem por "era uma vez um chacal"?
terça-feira, 16 de março de 2010
"O preço dos combustíveis volta a subir! Concorda?"
A pergunta lançada pelo programa "Estação de Serviço" (RTP Açores) desta tarde foi: "O preço dos combustíveis volta a subir! Concorda?"
Será que alguém telefonou (gastando mais alguns preciosos cêntimos a acrescentar ao desfalque que vai continuar a ter com a subida dos combustíveis) a responder que SIM? Ou eu não estou a ver a profundidade da questão lançada , ou então ninguém no seu perfeito juízo pode ser a favor da subida do preço dos combustíveis ou de qualquer outro produto. Foi pena não ter podido ficar a ouvir o programa. Teria sido interessante escrutinar os eloquentes argumentos a favor, já que os que são contra este aumento me parecem óbvios e os únicos possíveis... Aliás, foi curioso observar que a própria apresentação do assunto já trazia em si mesma (pela expressividade transmitida pelo ponto de exclamação) uma orientação de resposta algo tendenciosa...
Entretanto, pus-me aqui a imaginar..."- Boa tarde, obrigado (porque o jornalista é do sexo masculino, claro!) por participar no nosso programa. Então o que acha da subida do preço dos combustíveis à meia-noite de hoje? Concorda?
- Boa tarde, claro que concordo. Aliás acho que esta medida já veio um pouco tarde. Tenho escrito várias cartas aos Ministros das Finanças, da Economia e até ao nosso Primeiro a pedir que se comece a subir diariamente o preço dos combustíveis. Isto assim não pode ser. Temos de ajudar o país a sair da crise. Toda a ajuda é pouca para encher os cofres do Estado e das empresas do ramo. Até já ouvi dizer que vários sheiks das Arábias andam a ficar pobrezinhos e a ter de vender os seus aviões particulares. Se o meu depósito vai passar a andar mais vezes no vermelho não faz mal. E sempre posso cortar nas despesas de alimentação dos meus filhos, ir menos vezes ao dentista...
- (meio desconcertado, sem entender se a telespectadora estava a ser irónica ou..., o jornalista decide interromper a conversa) Muito bem, penso que já entendemos o essencial da sua ideia. Vamos passar a outro ouvinte..."
segunda-feira, 15 de março de 2010
Ainda não tinha falado de Jim Caviezel?
Quando chegarem as férias e houver tempo para (re)ver alguns filmes, decerto passarei por alguns de Jim Caviezel. Se tiver coragem, tentarei "A Paixão de Cristo" em plena Sexta-feira Santa... Não é um filme de se ver em dias em que a sensibilidade ande mais à flor da pele, mas não deixa de ser um filme apelativo, com algumas passagens de grande valor estético e poético... Com menos uns litros de sangue a jorrar e seria perfeito.
domingo, 14 de março de 2010
Amar... é complicado
Amar... é complicado, ou melhor, amar... não é o suficiente. Tanto é assim que Jane (Meryl Streep) e Jake (Alec Baldwin), apesar de terem reencontrado o amor após dez anos de divórcio, não têm um happy- ending ao estilo de Hollywood e afastam-se amorosa e definitivamente (?) no final do filme. Haver um Adam (Steve Martin) a declarar-se a Jane parece ser mera coincidência. Não creio de fosse uma peça fundamental para o ex-casal não ter reatado a relação, não obstante ficar, no fim do filme, uma porta aberta para a possibilidade de Jane e Adam poderem partir do zero e construir uma NOVA história de amor, metaforicamente representada pela construção do anexo no jardim de Jane, cujo projectista é precisamente Adam.
Foram mais as vicissitudes da vida, o inefável efeito da ampulheta do tempo que passa que não simplificaram a vida a Jane e Jake. Contrariando a vontade que se possa sentir ao ver o filme de os dois ficarem juntos, reconhece-se que provavelmente foi melhor assim... Tinham-se quebrado já demasiados cristais; não havia forma de voltar atrás, à inocência do amor. Será mesmo assim? Será uma nota pessimista sobre o amor ou a constatação de uma verdade? Acredito que seja complicado responder...
Foram mais as vicissitudes da vida, o inefável efeito da ampulheta do tempo que passa que não simplificaram a vida a Jane e Jake. Contrariando a vontade que se possa sentir ao ver o filme de os dois ficarem juntos, reconhece-se que provavelmente foi melhor assim... Tinham-se quebrado já demasiados cristais; não havia forma de voltar atrás, à inocência do amor. Será mesmo assim? Será uma nota pessimista sobre o amor ou a constatação de uma verdade? Acredito que seja complicado responder...
sexta-feira, 12 de março de 2010
A verdade (que não é apenas a artística)
(Pablo Picasso, "Les Demoiselles d'Avignon")
(Jackson Pollock, n.º 8)
"A verdade artística significa não sermos dominados pela vontade de agradar."
Laura Morante
Dizer sempre a verdade, ser sempre verdadeiro são tarefas árduas que nos deixam muitas vezes perante vários conflitos, dilemas, principalmente quando somos dominados pela vontade de agradar aos outros. Na arte, esta verdade que se associa à liberdade criadora de cada artista foi assim definida por Laura Morante. Na vida (real), a situação não parece ser muito diferente. Todavia, às vezes, falta-nos a coragem e a liberdade de um Picasso e de um Pollock...
quinta-feira, 11 de março de 2010
Crónicas de um fim de tarde no ginásio... Episódio II
Decididamente... não me importava de partilhar a plataforma de aprendizagem...
segunda-feira, 8 de março de 2010
Crónicas de um fim de tarde no ginásio... Episódio I
Neste que espero que seja o Episódio I de uma saga que retrate momentos inusitados, divertidos, etc., tenho a relatar o seguinte: não é que tenha alguma coisa contra quem não sabe nadar (yo!!), até porque não sou nenhuma Esther Williams, mas esta tarde ao ver, como vou explicar, um elemento do sexo masculino, com porte de Johnny Weissemuller e ar de Tom Cruise, a entrar na piscina, agarrar-se a uma plataforma flutuante (vulgo braçadeira quandrangular) e nadar à cãozinho, com os pezinhos a dar a dar, tive de pestanejar três vezes seguidas (espero que ele não tenha visto) para ter a certeza de que não estava a sonhar. Não estou a inventar, até porque, como sabemos, a realidade é bem mais rica do que a ficção. Espero que o distinto aprendiz nunca leia este post se, eventualmente, num dia destes, me convidar para ir à praia. Mas, vendo bem, até que não fui assim tão mazinha. Ou fui?
Dia Internacional da Mulher...
(Podia ter posto aqui uma fotografia maravilhosa da Charlize Theron, da Nicole Kidman ou até da Catherine Zeta-Jones; no entanto, nos tempos que correm já não se pode confiar em tanta perfeição. Serão mesmo assim? É cirurgia ou Photoshop? Por isso, aqui vai Vénus no seu nascimento e para sempre bela tal como Botticelli a pintou.)
8 de Março de 1857, Nova Iorque, mais de uma centena de operárias mortas durante protestos sobre condições de trabalho...
A História deste dia começa aqui, mas continua diariamente na vida de cada Mulher...
Depois de tudo o que a Mulher conquistou através de décadas de penosa emancipação, estará Ela mais feliz e realizada com os seus triunfos profissionais, pessoais...? Será que tem valido a pena querer ser igual ao Homem?
P.S. Desabafo alusivo à efeméride: confesso que me causa alguma impressão ver como uma mulher a andar de bicicleta sozinha em terras de coriscos mal-amanhados é ainda alvo de tanta estupefacção... Quase que pára o trânsito... E, não pensem que é para, por cavalheirismo, ceder a passagem... É mais para ver bem quem é "a atrevida, quiçá desocupada, que não tem um monte de loiça para lavar em casa, nem roupa para passar a ferro!!"
Era uma vez uma "Belfast Child" que num certo "Sunday, Bloody Sunday"...
Arte pela Arte ou Arte Comprometida com a denúncia de problemas sociais, políticos, ideológicos?
Neste caso e para o mesmo problema que foi (espero que não volte a ser) a violência na Irlanda do Norte, o IRA, os reflexos que esta teve na Arte, na música em concreto, trouxeram duas bonitas melodias. No meu caso, a música dos U2 (e a dos Simple Minds em menor escala) foram uma porta de entrada para estas questões bélicas que efervesciam nos anos 80. Ajudaram-me a tomar consciência de que o mundo não era tão perfeito como numa misteriosa Ilha Verde no meio do Atlântico...
domingo, 7 de março de 2010
"And the Oscar goes to..."
sexta-feira, 5 de março de 2010
Também há declarações de amor assim...
"But nothing is as beautiful as when she believes
when she believes in me!"
Amar é acreditar.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Para (continuar a) reflectir...
Em seguimento do post anterior, leiam-se as palavras de Miguel Sousa Tavares:
Cybercobardia
"Excepção feita ao correio electrónico e à consulta de "sites" informativos, a Internet interessa-me zero. Todo esse universo dos "chats" e dos blogues não apenas me é absolutamente estranho como ainda o acho, paradoxalmente, uma preocupante manifestação de um processo de dessocialização e de sedentarização das solidões para que o mundo de hoje parece caminhar. Saber que nesses "sítios" imateriais é possível fazer praticamente tudo, desde arranjar parceiros amorosos até recrutar terroristas não é, a meu ver, um progresso ou facilidade, mas uma espécie de impotência, de desistência de viver a vida como ela é.
Tenho lido muitas opiniões contrárias, de gente que acredita que os blogues e toda essa conversa in absentia são uma forma moderna de democracia de massas, directa e instantânea, como nunca houve: uma espécie de "speaker's corner" planetário. Mas discordo: não penso que a qualidade da democracia se meça pela quantidade de envolvidos e, menos ainda, pela irresponsabilidade. Não há liberdade de expressão onde existe impunidade do discurso. E se no "speaker's corner" fala quem quer, também é verdade que quem fala tem rosto a descoberto, pode ser convidado pelos circunstantes a identificar-se e pode, sobretudo, ser confrontado por estes - enquanto na maioria dos blogues o anonimato é regra, santo e senha."
Miguel Sousa Tavares, Expresso, 28 de Outubro de 2006
Cybercobardia
"Excepção feita ao correio electrónico e à consulta de "sites" informativos, a Internet interessa-me zero. Todo esse universo dos "chats" e dos blogues não apenas me é absolutamente estranho como ainda o acho, paradoxalmente, uma preocupante manifestação de um processo de dessocialização e de sedentarização das solidões para que o mundo de hoje parece caminhar. Saber que nesses "sítios" imateriais é possível fazer praticamente tudo, desde arranjar parceiros amorosos até recrutar terroristas não é, a meu ver, um progresso ou facilidade, mas uma espécie de impotência, de desistência de viver a vida como ela é.
Tenho lido muitas opiniões contrárias, de gente que acredita que os blogues e toda essa conversa in absentia são uma forma moderna de democracia de massas, directa e instantânea, como nunca houve: uma espécie de "speaker's corner" planetário. Mas discordo: não penso que a qualidade da democracia se meça pela quantidade de envolvidos e, menos ainda, pela irresponsabilidade. Não há liberdade de expressão onde existe impunidade do discurso. E se no "speaker's corner" fala quem quer, também é verdade que quem fala tem rosto a descoberto, pode ser convidado pelos circunstantes a identificar-se e pode, sobretudo, ser confrontado por estes - enquanto na maioria dos blogues o anonimato é regra, santo e senha."
Miguel Sousa Tavares, Expresso, 28 de Outubro de 2006
Para reflectir...
"- Milhões de pessoas escrevem diários em forma de blogue na Internet e revelam fotografias pessoais ou vídeos a pessoas completamente desconhecidas. Porquê?
- É simples: podem dessa forma informar o mundo inteiro da sua existência. Anteriormente, as pessoas - em especial os adolescentes - construiam a sua identidade essencialmente a partir da moda. Esforçavam-se por chamar a atenção para uma indumentária precisa, para os "piercings", os cabelos azuis. Basta passar cinco minutos no Metro para ver desfilar tudo o que pode existir em matéria de auto-representação. Mas há muito que isso já não nos diz nada.
Os novos meios de comunicação oferecem um novo terreno para o exibicionismo fácil. Permitem afixar uma representação de si que ultrapassa os limites corporais e construir um eu completamente diferente."
Excerto da entrevista a Norbert Bolz, publicada no Courrier Internacional de 1 de Setembro de 2006
- É simples: podem dessa forma informar o mundo inteiro da sua existência. Anteriormente, as pessoas - em especial os adolescentes - construiam a sua identidade essencialmente a partir da moda. Esforçavam-se por chamar a atenção para uma indumentária precisa, para os "piercings", os cabelos azuis. Basta passar cinco minutos no Metro para ver desfilar tudo o que pode existir em matéria de auto-representação. Mas há muito que isso já não nos diz nada.
Os novos meios de comunicação oferecem um novo terreno para o exibicionismo fácil. Permitem afixar uma representação de si que ultrapassa os limites corporais e construir um eu completamente diferente."
Excerto da entrevista a Norbert Bolz, publicada no Courrier Internacional de 1 de Setembro de 2006
quarta-feira, 3 de março de 2010
Não resisti. Cumpri.
Para terminar a passagem diária por aqui...
Em (auto)-resposta ao post abaixo, o verso que proponho é:
Sombra verdejante que chega ao mar.
Às vezes também sou assim: impaciente. Esperei uma horita (talvez um pouco mais); vi a areia a escorrer... e não resisti. Quando há algo para fazer, porquê esperar? Não dou este gostinho ao tempo. Por vontade própria não. Será virtude? Será defeito?
Em (auto)-resposta ao post abaixo, o verso que proponho é:
Sombra verdejante que chega ao mar.
Às vezes também sou assim: impaciente. Esperei uma horita (talvez um pouco mais); vi a areia a escorrer... e não resisti. Quando há algo para fazer, porquê esperar? Não dou este gostinho ao tempo. Por vontade própria não. Será virtude? Será defeito?
Infinitos de azul...
Oops... I did it again...
Como é possível não gostar disto? Comecei há dois dias o segundo volume e ainda não parei de sublinhar, rabiscar o livro. Já não sei ler um livro sem um lápis à mão...
"[...]apetece-me apaixonadamente defender um mundo em que as coisas frágeis, belas e desamparadas, como os quadros, as canções de amor, os búzios, os lápis de cor, as fotografias escondidas em gavetas, os desenhos e as sombras nas paredes, os beijos nos bancos de jardim, as vozes dos actores e o sono dos gatos, e os livros, claro, todos os livros do mundo, tenham direito a uma protecção legítima e soberana."
E.P. Coelho, Tudo o que não Escrevi, vol. 2, p. 26
"[...]apetece-me apaixonadamente defender um mundo em que as coisas frágeis, belas e desamparadas, como os quadros, as canções de amor, os búzios, os lápis de cor, as fotografias escondidas em gavetas, os desenhos e as sombras nas paredes, os beijos nos bancos de jardim, as vozes dos actores e o sono dos gatos, e os livros, claro, todos os livros do mundo, tenham direito a uma protecção legítima e soberana."
E.P. Coelho, Tudo o que não Escrevi, vol. 2, p. 26
Ainda Eduardo Prado Coelho...
"Quando amamos alguém, não o fazemos pela soma mesquinha das suas qualidades. O amor está para além desse cálculo vulgar: amamos alguém como ele é, um ser qualquer, mas único."
Eduardo Prado Coelho, Tudo o que não Escrevi, p. 269
Pelas vezes que já citei esta obra, já devem ter percebido que me tornei "fã" das confissões diarísticas do autor. Se calhar é porque ando mais sensível a estas questões, consequência das minhas leituras sobre o discurso ensaístico e diarístico... ou então?
Eduardo Prado Coelho, Tudo o que não Escrevi, p. 269
Pelas vezes que já citei esta obra, já devem ter percebido que me tornei "fã" das confissões diarísticas do autor. Se calhar é porque ando mais sensível a estas questões, consequência das minhas leituras sobre o discurso ensaístico e diarístico... ou então?
"Sonho Oriental"
O texto que a seguir transcrevo intitula-se "Sonho Oriental". Trata-se um soneto de Antero de Quental, nome maior da literatura e do pensamento portugueses que dispensa mais e demoradas apresentações. É um poema que (sinceramente) só recentemente me foi dado a conhecer, mas também não se pode pretender que, por fazer da literatura/língua portuguesa a minha profissão, área de investigação e muito do meu tempo livre, conheça todos os textos... Todo o soneto é, no meu entender, bastante rico, expressivo e, como se não bastasse, transporta o leitor para terras do Oriente (sobre as quais como já devem ter percebido, até por posts anteriores, nutro um interesse particular). No entanto, e sem mais dispersões, ao ler o último verso, fiquei com a sensação de que a atmosfera etérea, fantástica (associada a fantasia, claro!) até, recriada até àquele momento, se perde nas suas palavras; ou seja, para tudo o que é dito anteriormente, o poema "mereceria" outro remate...
Sonho-me às vezes rei, nalguma ilha,
Muito longe, nos mares do Oriente,
Onde a noite é balsâmica e fungente
E a lua cheia sobre as águas brilha...
O aroma da magnólia e da baunilha
Paira no ar diáfano e dormente...
Lambe a orla dos bosques, vagamente,
O mar com finas ondas de escumilha...
E enquanto eu, na varanda de marfim,
Me encosto, absorto num cismar sem fim,
Tu, meu amor, divagar ao luar,
Do profundo jardim pelas clareiras,
Ou descansas debaixo das palmeiras,
Tendo aos pés um leão familiar.
"Tendo aos pés um leão familiar"? Soa-me seguramente a pouco...
Se alguém for suficientemente corajoso, pode tentar reescrever o último verso e postá-lo aqui... Não se esqueçam é de respeitar o verso decassílabo, e a rima em -ar (de luar)... Também vou tentar. Se sair alguma coisa de jeito, juro que partilho, não vão pensar que eu Falo, Falo, Falo... e depois...
Em jeito de remate (e de alargarmento), ficam as palavras de Eduardo Prado Coelho, retiradas do 1.º volume do seu diário Tudo o que Não Escrevi...
"Há frases que são absolutamente decisivas no curso da leitura de um livro. Quando chegamos a elas, fazemos uma espécie de pausa para reflexão (mas é sobretudo para respirarmos), e dizemos: 'está ganho!', isto é, consegui ganhar mais um livro para mim, a partir de agora este livro vai ser também um livro meu. Depois, a leitura prossegue, mas com outra serenidade: sabemos que uma evidência se instalou em nós, obstinada, inamovível. Porque houve uma frase que de súbito nos tocou mais do que a soma de todas as outras - e que fez dessa soma algo de inteiramente novo, uma cor desconhecida, na nossa experiência da literatura." (p. 266)
Sonho-me às vezes rei, nalguma ilha,
Muito longe, nos mares do Oriente,
Onde a noite é balsâmica e fungente
E a lua cheia sobre as águas brilha...
O aroma da magnólia e da baunilha
Paira no ar diáfano e dormente...
Lambe a orla dos bosques, vagamente,
O mar com finas ondas de escumilha...
E enquanto eu, na varanda de marfim,
Me encosto, absorto num cismar sem fim,
Tu, meu amor, divagar ao luar,
Do profundo jardim pelas clareiras,
Ou descansas debaixo das palmeiras,
Tendo aos pés um leão familiar.
"Tendo aos pés um leão familiar"? Soa-me seguramente a pouco...
Se alguém for suficientemente corajoso, pode tentar reescrever o último verso e postá-lo aqui... Não se esqueçam é de respeitar o verso decassílabo, e a rima em -ar (de luar)... Também vou tentar. Se sair alguma coisa de jeito, juro que partilho, não vão pensar que eu Falo, Falo, Falo... e depois...
Em jeito de remate (e de alargarmento), ficam as palavras de Eduardo Prado Coelho, retiradas do 1.º volume do seu diário Tudo o que Não Escrevi...
"Há frases que são absolutamente decisivas no curso da leitura de um livro. Quando chegamos a elas, fazemos uma espécie de pausa para reflexão (mas é sobretudo para respirarmos), e dizemos: 'está ganho!', isto é, consegui ganhar mais um livro para mim, a partir de agora este livro vai ser também um livro meu. Depois, a leitura prossegue, mas com outra serenidade: sabemos que uma evidência se instalou em nós, obstinada, inamovível. Porque houve uma frase que de súbito nos tocou mais do que a soma de todas as outras - e que fez dessa soma algo de inteiramente novo, uma cor desconhecida, na nossa experiência da literatura." (p. 266)
domingo, 28 de fevereiro de 2010
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Romeiro...
Frio...
Descobri uma função no termómetro do meu carro que não conhecia. Esta tarde, a caminho das Sete Cidades, a temperatura desceu a 1ºC. E... eis que um cristal de gelo subitamente se iluminou no visor do carro junto ao termómetro. Nunca tinha estado (pelos menos por cá) tão próxima dos 0ºC. Que frio! Não tenho a certeza, mas penso que até vi dois ou tres flocos de neve a cair.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Depois da tempestade... nem sempre vem a bonança!
Há cerca de meia-hora, o Presidente da Câmara do Funchal foi entrevistado em directo pela SIC Notícias, numa tentativa de tranquilizar os habitantes da ilha da Madeira sobre a previsão de mau tempo para esta madrugada. Se eu morasse lá, a segurança com que afirmou "Eu disse que ia começar a chover às 18 horas e começou a chover às 18 horas" ter-me-ia deixado bem mais preocupada. Previsão por previsão, por que razão os governantes da Madeira ignoraram as previsões dos especialistas que foram entrevistados neste programa da RTP2 em 2008?
Se calhar estou a ficar demasiado má-língua ou então o efeito da comunicação social mais sensacionalista está a produzir estranhos efeitos em mim...
Observações finais: a renúncia à declaração de calamidade pública na Madeira para não prejudicar o turismo local, bem como o estranho caso do avanço e recuo do número de mortos têm-me deixado bastante estupefacta. No primeiro caso, acho um grande disparate; no segundo, espero que tudo o que tem sido divulgado corresponda à verdade.
Preocupação final: as obras na ilha de S. Miguel a propósito das SCUT, em que se estão a esventrar montanhas, a retalhar encostas. Ao passar pela zona de Água d'Alto, assustei-me verdadeiramente.
Sobre o tempo...
"Primeiro, procura-se vencer o tempo.
Depois, acompanhá-lo.
Finalmente, conquistá-lo contra a amnésia.
Sim, vive-se sempre contra o tempo, sem jamais o derrotar,
Combates de retaguarda. Haverá outros...?"
Marcello Duarte Mathias, O Diário de Paris
Depois, acompanhá-lo.
Finalmente, conquistá-lo contra a amnésia.
Sim, vive-se sempre contra o tempo, sem jamais o derrotar,
Combates de retaguarda. Haverá outros...?"
Marcello Duarte Mathias, O Diário de Paris
Sobre a liberdade...
"Homem livre não é o asceta cujo desprendimento corresponde a uma provação permanente. Livre é aquele que reduz ao mínimo a sua dependência do mundo exterior e dos outros, embora com ambos convivendo."
Marcello Duarte Mathias, O Diário da Índia
Marcello Duarte Mathias, O Diário da Índia
Sobre a paixão...
"A característica especial da paixão é arder até às cinzas e extinguir-se por completo. Então as cinzas são sopradas pelo vento e nada mais resta."
João Aguiar, A Voz dos Deuses
João Aguiar, A Voz dos Deuses
Sobre a solidão...
"Não. A minha solidão
não é uma invenção
para enfeitar o céu estrelado...
... mas este deitar-me de súbito a chorar no chão
e agarrar a terra para sentir um Corpo Vivo a meu lado."
José Gomes Ferreira
não é uma invenção
para enfeitar o céu estrelado...
... mas este deitar-me de súbito a chorar no chão
e agarrar a terra para sentir um Corpo Vivo a meu lado."
José Gomes Ferreira
Sobre o amor...
"Antes do amor havia nada. Logo a seguir, tu
Antes da separação havia nada. Logo a seguir, saudade
Do nada aconteceu tudo."
Fernando Carvalho Rodrigues
Antes da separação havia nada. Logo a seguir, saudade
Do nada aconteceu tudo."
Fernando Carvalho Rodrigues
Sobre a amizade...
Apesar de me ter desgostado um pouco da escrita de Paulo Coelho, no caderninho das citações ainda há uma grande lista de passagens que me parecem bastantes pertinentes. Li, por exemplo, O Zahir há uns anos sem a paixão com que li O Alquimista ou Na Margem do Rio Piedra Sentei e Chorei. No entanto, o seguinte excerto nunca me passou desapercebido:
"Os verdadeiros amigos são aqueles que estão ao nosso lado quando as coisas boas acontecem. Eles torcem por nós, alegram-se com as nossas vitórias. Os falsos amigos são os que só aparecem nos momentos difíceis, com aquela cara triste, de "solidariedade", quando na verdade o nosso sofrimento está a servir para os consolar nas suas vidas miseráveis".
Paulo Coelho, O Zahir
"Os verdadeiros amigos são aqueles que estão ao nosso lado quando as coisas boas acontecem. Eles torcem por nós, alegram-se com as nossas vitórias. Os falsos amigos são os que só aparecem nos momentos difíceis, com aquela cara triste, de "solidariedade", quando na verdade o nosso sofrimento está a servir para os consolar nas suas vidas miseráveis".
Paulo Coelho, O Zahir
Sobre a coragem...
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Em resposta...
Seguindo a tendência nacional de forte abstenção em matéria de votações, só se registou uma resposta à questão do quizz de ontem. São seguradamente imagens de uma cidade holandesa, Amesterdão de seu nome. O facto de se ter proposto Maastricht já me fez procurar algumas fotografias (se bem que virtualmente) para encontrar possíveis semelhanças. E assim se conhecem coisas novas...
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Frio a caminho...
Momento zen do dia...
Pode parecer que estou novamente a falar de política, mas não é bem verdade...
Há poucos minutos vi uma reportagem num canal televisivo de notícias em que Michel Platini (ex-eterna-glória futebolistica e actual Presidente da UEFA) fez questão de falar em português para entregar um importante prémio a Eusébio: o «UEFA Presidents Award». Confesso que a mistura do italiano com o francês culminou num português quase perfeito. Para além disso, o esforço despertou-me algum carinho e admiração pelo senhor. Bem melhor foi de certeza do que a tentativa de castelhano que ouvi no outro dia a António Vitorino, num evento qualquer em Espanha (desculpem-me as imprecisões espácio-temporais). Bem melhor esteve também Marcelo Rebelo de Sousa que optou por falar em português no mesmo encontro. Se calhar a audiência percebeu-o melhor...
Há poucos minutos vi uma reportagem num canal televisivo de notícias em que Michel Platini (ex-eterna-glória futebolistica e actual Presidente da UEFA) fez questão de falar em português para entregar um importante prémio a Eusébio: o «UEFA Presidents Award». Confesso que a mistura do italiano com o francês culminou num português quase perfeito. Para além disso, o esforço despertou-me algum carinho e admiração pelo senhor. Bem melhor foi de certeza do que a tentativa de castelhano que ouvi no outro dia a António Vitorino, num evento qualquer em Espanha (desculpem-me as imprecisões espácio-temporais). Bem melhor esteve também Marcelo Rebelo de Sousa que optou por falar em português no mesmo encontro. Se calhar a audiência percebeu-o melhor...
Primavera?
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Politiquices...
Quem me conhece sabe que raramente falo de política, muito menos me envolvo em grandes discussões sobre partidos, direita, esquerda (para mim ainda me parece tudo a mesma coisa). No entanto, os acontecimentos dos últimos dias, meses, anos têm-me deixado um pouco irritada com o que por aí vai.
A lista da nossa vergonha pública (política) é longa. Parece que (exceptuando outros escândalos e controvérsias mais antigos) tudo começou com o caso Casa Pia. Depois, os sucessores são vários e ilustres: licenciatura de Sócrates, Freeport, Apito Dourado, Face Oculta...
Para tudo isto, só tenho quatro observações:
1 - ou o "ilustre peito lusitano" acordou de um longo sono de ingenuidade colectiva ao pensar que nos bastidores da política não há jogos de poder, uma "corrupçãozita aqui, outra acolá";
2 - ou os políticos actuais estão a perder ancestrais capacidades de nos iludirem e manipularem tão bem que pensamos que realmente lutam para defender a res publica;
3 - ou os jornalistas actuais são muito mais espertos;
4 - ou realmente a situação é tão grave que está a rebentar pelas costuras...
A verdade é que não se sabe quem tem razão... Ou melhor, provavelmente meia dúzia até sabe...
De qualquer modo, por mais apartidária que possa parecer, ainda me resta alguma esperança em acreditar que a existência de partidos políticos é um sinal vivo de democracia. Sem eles, sem ela, estaríamos possivelmente bem pior.
Se vou votar no Dr. Fernando Nobre para Presidente da República? Não sei ainda... Mas, ontem, soou-me bastante tentadora a ideia... Espero é que o país não faça dele um novo Obama!
A lista da nossa vergonha pública (política) é longa. Parece que (exceptuando outros escândalos e controvérsias mais antigos) tudo começou com o caso Casa Pia. Depois, os sucessores são vários e ilustres: licenciatura de Sócrates, Freeport, Apito Dourado, Face Oculta...
Para tudo isto, só tenho quatro observações:
1 - ou o "ilustre peito lusitano" acordou de um longo sono de ingenuidade colectiva ao pensar que nos bastidores da política não há jogos de poder, uma "corrupçãozita aqui, outra acolá";
2 - ou os políticos actuais estão a perder ancestrais capacidades de nos iludirem e manipularem tão bem que pensamos que realmente lutam para defender a res publica;
3 - ou os jornalistas actuais são muito mais espertos;
4 - ou realmente a situação é tão grave que está a rebentar pelas costuras...
A verdade é que não se sabe quem tem razão... Ou melhor, provavelmente meia dúzia até sabe...
De qualquer modo, por mais apartidária que possa parecer, ainda me resta alguma esperança em acreditar que a existência de partidos políticos é um sinal vivo de democracia. Sem eles, sem ela, estaríamos possivelmente bem pior.
Se vou votar no Dr. Fernando Nobre para Presidente da República? Não sei ainda... Mas, ontem, soou-me bastante tentadora a ideia... Espero é que o país não faça dele um novo Obama!
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Pé de valsa...
Se eu fosse mentirosa, diria que tinha dançado esta valsa num salão espelhado em Veneza neste Carnaval...
A 25 de Janeiro perguntei...
Esta bem podia ser a resposta à pergunta que lancei há uns "posts" atrás. Curiosamente, foi lendo o livro, que me fez pôr a questão, que encontrei a resposta:
"Nunca li muito porque quisesse saber mais. Aliás sei muito pouco. Quanto mais leio mais sei que menos sei. Mas li por outra razão: para encontrar, entre os livros, tantos, os que são bons. E para defender estes como quem, entrincheirado, defende a própria beleza da vida. Não os que são bons em si mesmos - isto é, o cânone dos 'clássicos'. Mas aqueles que são-bons-para-mim ('ça me regarde'). Os meus encontros decisivos. Os meus rostos redentores. Sei que são poucos. Mas ainda não sei qual a lista definitiva. Leio para aprender os seus nomes. Para prolongar a lista. Para a tornar perfeita. E quanto mais leio mais me confirmo na convicção de que alguns dos encontros fundamentais estão ainda por fazer."
Eduardo Prado Coelho, Tudo o que não Escrevi, vol.1, p. 189
"Nunca li muito porque quisesse saber mais. Aliás sei muito pouco. Quanto mais leio mais sei que menos sei. Mas li por outra razão: para encontrar, entre os livros, tantos, os que são bons. E para defender estes como quem, entrincheirado, defende a própria beleza da vida. Não os que são bons em si mesmos - isto é, o cânone dos 'clássicos'. Mas aqueles que são-bons-para-mim ('ça me regarde'). Os meus encontros decisivos. Os meus rostos redentores. Sei que são poucos. Mas ainda não sei qual a lista definitiva. Leio para aprender os seus nomes. Para prolongar a lista. Para a tornar perfeita. E quanto mais leio mais me confirmo na convicção de que alguns dos encontros fundamentais estão ainda por fazer."
Eduardo Prado Coelho, Tudo o que não Escrevi, vol.1, p. 189
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Em Noite S. Valentim...

(a imagem foi "roubada" daqui: recantodasletras.uol.com.br)
Será que todos os grandes amores têm de ser grandes (a repetição é propositada), efémeros e infelizes? Pelo menos a literatura, o cinema e a História assim os narram, e longa é a lista: de Romeu e Julieta, Tristão (este já levava no nome o destino de eterna tristeza) e Isolda, Inês de Castro a Love Story, O Paciente Inglês?
Será que todos os grandes amores não resistem à passagem do tempo, à banalidade do quotidiano, às listas de compras do supermercado, às dívidas no banco?
Será que a morte ou outro incontornável motivo têm de aparecer antes para que para sempre este amor seja recordado, enaltecido? Será que o amor perdura na ausência do outro, dos próprios?
Se calhar, em vez de se celebrar o Dia dos Namorados (aqueles embevecidos seres que trocam peluches, cartões, rosas vermelhas e jantares à luz das velas que eles próprios não cozinharam), dever-se-ia comemorar o Dia do Marido e da Mulher... Se calhar é entre eles que floresce o verdadeiro amor. São eles os grandes sobreviventes de um sentimento que um dia floresceu - culpa de Cupido. A eles só lhes resta ficar por aí à espera de alguma morte natural, da extinção da sua própria paixão...
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Sem título...
Para além de todos as razões pelas quais admiro e adoro a minha mãe, ter um quadro aasim pintado por ela no meu local de trabalho não só me enche de orgulho, como também me permite viajar para outras terras, outros tempos... sem sair do lugar, nem que seja por breves minutos. A viagem real ao Egipto está, sem dúvida, na lista das prioridades. Até lá...
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Eu Vou!!!!!!...

O slogan não é novo, mas não resisti...
Por razões de segurança cortei os códigos de barras do bilhete... Deve ser mais uma das minhas preocupações descabidas, mas...
No caso de persistirem dúvidas, sim, é verdade, coloquei a imagem aqui para fazer um bocadinho de inveja.
Há dias em que o carteiro traz correspondência interessante. A ida à caixa do correio hoje deixou-me mais bem-disposta do que o habitual.
Em contratempo...
Sem querer influenciar os meus leitores (até porque a sondagem ainda está a decorrer) e a poucas horas do início das hostes carnavalescas, tenho algo a confessar... não gosto do Carnaval, ou melhor, de alguns carnavais, a saber: todos os que envolvem "cabeçudos", "barbudos", "cabeludos"; meninas em (nu)kini (a fingir que sabem sambar, em terras que tilintam de frio nesta altura do ano, neste hemisfério; o seu a seu dono - samba é Brasil, não é Mealhada, Madeira...); batalhas de limas, balões e outros derivados do plástico; "Auroras insinceras", amigos do Charlie Brown; parvoíce geral...
Se eu pudesse votar na minha sondagem, elegeria a malassada como a Rainha da festa para fazer o gosto ao Rei Momo.
Para mim, o espírito do Carnaval está no Rio de Janeiro (e não precisava de lá sair) e está em Veneza. Por isso, se houver por aí alguém com vontade de me surpreender, a dica é: dois bilhetes de avião para Veneza por três dias. Domingo seria um bom dia para partir. Se assim não for, só me resta a esperança de ser raptada por um arlequim misterioso em plena Praça de S. Marcos, mesmo por baixo do relógio astronómico.
Já virei a ampulheta...
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
"Sinnerman": sugestão para a Grande Final dos Ídolos...
Confesso que gostava de ouvir a Diana cantar esta música...
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
De regresso a bons e velhos hábitos...
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Sugestão para a Grande Final dos Ídolos... Se o Filipe cantasse assim, até mereceria ganhar...
"A finger' s touch upon my lips
It' s a morning yearning
Pull the courtains shut, try to keep it dark
But the sun is burning
The world awakens on the run
And will soon be yearning
With hopes of better days to come
It' s a morning yearning
Another day, another chance to get it right
Must I still be learning
Baby crying kept us up all night
With her morning yearning
Like a summer rose, I' m a victim of the fall
But i' m soon returning
Your love' s the warmest place the sun ever shines
My morning yearning"
A propósito de contrastes...
"Se não fosse a montanha, não seríamos tocados pela magnificência da planura." (provérbio chinês)


Sempre encontrei nos contrastes uma fonte de interesse inesgotável. Depois aprendi que a sabedoria oriental os tinha tão bem sintetizado nos princípios do Yin e do Yang, que a moral criara o Bem e o Mal... Pondo de lado as questões metafísicas, quem nunca experimentou imaginar um quente e lindo dia de Sol, quando o termómetro teima em descer e a chuva tudo esfria? Quem, após uma má notícia ou um período de maior passividade, nunca vibrou com um pequeno gesto de amizade ou com um renovado ânimo para realizar novos projectos?


Sempre encontrei nos contrastes uma fonte de interesse inesgotável. Depois aprendi que a sabedoria oriental os tinha tão bem sintetizado nos princípios do Yin e do Yang, que a moral criara o Bem e o Mal... Pondo de lado as questões metafísicas, quem nunca experimentou imaginar um quente e lindo dia de Sol, quando o termómetro teima em descer e a chuva tudo esfria? Quem, após uma má notícia ou um período de maior passividade, nunca vibrou com um pequeno gesto de amizade ou com um renovado ânimo para realizar novos projectos?
Sabedoria popular...
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Hoje no Teatro o tempo passou mais devagar: "Amália Hoje"


Sónia Tavares: A VOZ
Fernando Ribeiro: o charme (apesar de não ser uma opinião consensual na fila)
Paulo Praça: a energia
Nuno Gonçalves: as palavras e a paixão pelos golfinhos (só quem esteve presente vai entender)
Em conclusão, belo espectáculo. E não foi só pela "Gaivota" (que tanto tem feito chorar o Ricardo Pereira na telenovela). Foi também pela simpatia, qualidade e... pelos sorrisos na sessão de autógrafos. Enrascada como sou, só consegui fazer sair um "Boa Noite" em si bemol. Tive medo de desafinar no refrão. Aqui, que ninguém nos ouve: "Que perfeito coraçããããooo!"
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Se eu avatar, se tu avatares, se ele avatar...
Que me desculpem os meus amigos cinéfilos com opiniões mais fundamentalistas contra este tipo de filmes a beirar a ficção científica, mas, esta tarde, eu conjuguei o verbo avatar na primeira pessoa do singular... e gostei.
Sem querer estar aqui a defender géneros cinematográficos (até porque gosto de vários), a evolução tecnológica pode também criar obras esteticamente válidas... desde que se conte uma boa história.
Para finalizar,Ana,esta observação é para ti: se o cinema continuasse na fase da mudez monocromática, o que seria do "Paciente Inglês"? Realmente, a preto e branco, os olhos do Ralph Fiennes não teriam o mesmo brilho!!!
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